quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Ainda no papel, metrô curitibano já custou R$ 23,3 milhões em dinheiro público

20/11/2016 - Gazeta do Povo

Se o prefeito eleito Rafael Greca (PMN) estiver certo e o dinheiro prometido pelo governo federal para a construção do metrô de Curitiba for mesmo “história da carochinha”, estará encerrada – ao menos por ora – a epopeia em que se transformou a implantação do modal de alta capacidade no transporte público de Curitiba. 

O Ministério das Cidades, responsável pelo convênio que garantiria R$ 1,8 bilhão do governo federal ao metrô de Curitiba, não desmente o prefeito eleito. Procurado pela reportagem, o órgão não confirmou se há recurso disponível para a obra. 

Primeiro projeto de Metrô 

Em setembro de 1969, quando a prefeitura estava sob o comando de Omar Sabbag, foi publicado o título “Metrô - Estudo Preliminar do Sistema Integrado de Transporte de Massa de Curitiba”. Entre outros técnicos, o arquiteto Jaime Lerner compunha o grupo responsável pela elaboração do trabalho. O projeto, todo datilografado, tem 138 páginas e prevê um sistema sobre pneus, com alguns trechos subterrâneos, outros ao nível do solo e alguns elevados. O estudo também previa a integração com o sistema de ônibus. O traçado inicial ia do Capão Raso até o Santa Cândida, passando pelo Centro de Curitiba. 

Para além da frustação dos curitibanos, que há tempos escutam promessas sobre o novo modal, nos últimos 15 anos, o metrô já consumiu mais de R$ 23,3 milhões em recursos públicos – em valores atualizados pela inflação – apenas em projetos e estudos. E, embora já tenha tido até uma logomarca , o metrô nunca foi além de um projeto. 

A maior parte desse montante foi dispendida pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) em 2002 – R$ 6,9 milhões, em valores da época, ou R$ 16,4 milhões já contado o reajuste da inflação. O dinheiro pagou a “contratação de projetos básicos de engenharia”, informa a prefeitura. Então comandada por Cassio Taniguhchi (DEM), a administração municipal pensava em usar o trecho urbano da BR-116 – a atual Linha Verde – para unir o Pinheirinho ao Atuba com trens elevados. A dificuldade em obter financiamento, porém, e disputas judiciais sobre a licitação mandaram o projeto para as gavetas do Ippuc. 

Em 2009, sob o comando de Beto Richa (PSDB), a prefeitura aproveitou dinheiro oferecido pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU ) para reiniciar estudos de viabilidade para implantação do metrô. Daí surgiu o projeto que é a origem da proposta atual – uma linha ligando Pinheirinho ao Santa Cândida usando como base do trajeto o percurso dos ônibus expressos. 

Da CBTU, uma estatal federal, vieram à época R$ 2,8 milhões. Esse dinheiro pagou R$ 2,4 milhões em “estudos e projetos de engenharia e R$ 376 mil numa avaliação de impacto ambiental, relatou a prefeitura em 2015 em resposta a pedido de informações apresentado pelo vereador Jorge Bernardi (Rede). O valor atualizado seria R$ 6,4 milhões. 

Na resposta a Bernardi, a prefeitura elenca ainda um estudo complementar de impacto ambiental e seu respectivo relatório, contratados a R$ 312 mil. Na avaliação feita pela gestão Gustavo Fruet (PDT) ao vereador, esse dinheiro – acrescido de R$ 7,1 mil que o município tirou do bolso em 2009 (para fechar a conta) – seria o único prejuízo que a cidade teria se o metrô desse em nada. O cálculo da administração do pedetista não leva em conta o valor gasto em 2002 pelo Ippuc, que é vinculado à administração municipal. 

Há, entretanto, outros valores a serem considerados na conta. A começar pela conclusão de que, municipal ou não, o dinheiro gasto no metrô é público. Mais: há uma série de gastos municipais difíceis de serem auferidos, como viagens de representantes da prefeitura a Brasília para tratar do projeto, horas de trabalho de servidores, além da estrutura montada para as três vindas da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) a Curitiba para anunciar a chegada de verba para o metrô. 

Para urbanista, cidade não pode prescindir do modal 

Curitiba “não pode se dar ao luxo de simplesmente abandonar o projeto do metrô”, adverte Carlos Hardt, arquiteto, urbanista e professor da pós-graduação em Gestão Urbana da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná). 

“Quando se fala em metrô, fala-se em um modal de altíssima capacidade. A cidade tem sim que discutir o transporte em um modal de alta capacidade. Não pode simplesmente abandonar o que já foi discutido e investido no desenvolvimento do projeto”, critica. 

Alternativas apresentadas por Rafael Greca durante a campanha, os veículos leves sobre pneus (VLP) Não substituem o metrô, explica o urbanista. 

“O VLP pode ser interessante para algumas rotas e funções. Mas, por si só, não supriria a alta demanda que temos em alguns corredores. Pode ser estudado complementarmente ao metrô, o a algo equivalente”, afirma. 

Hardt cogita que o longo tempo e os transtornos que uma obra como a do metrô geraria podem explicar porque políticos resistem a colocar em prática o projeto. “Não é uma obra para ele mesmo inaugurar, principalmente se tiver um mandato só. Há impactos financeiros e na vida da cidade. Certamente, acho que faz parte do cardápio de desincentivo a determinados prefeitos de não levarem adiante [o metrô]. Mas ele é uma necessidade que precisa ser encarada, mais dia, menos dia”, diz. 

O urbanista não crê que Curitiba jamais terá uma rede de metrô comparável a de grandes cidades do mundo, por conta do alto custo da obra, mas acredita que esse não deve ser um óbice à adoção do modal. “Eixos com mais demanda podem ter linhas de metrô, que seriam complementadas por outros modais”, explica. 

Há mais de 40 anos prefeitura fala em substituir BRT pelo Metrô 

Discute-se a implantação do metrô em Curitiba desde muito antes de a cidade ganhar a fama de ser dotada de um sistema de transporte público exemplar. Um documento de 2013 elaborado por uma comissão formada pelo prefeito Gustavo Fruet (PDT) para reavaliar o projeto relata que as primeiras discussões sobre o assunto datam “dos primórdios dos anos 1960”. 

Em 1974, ao inaugurar, com a presença do presidente militar Ernesto Geisel, o sistema de ônibus expressos no eixo Santa Cândida-Capão Raso, o prefeito de Curitiba Jaime Lerner (então na Arena, atualmente sem partido) disse à “Folha de S. Paulo”, em reportagem de Paulo Markun, que a cidade decidira “dar prioridade ao sistema de transporte de massa. O primeiro passo é esse ônibus expresso”. 

A reportagem afirmava que técnicos da prefeitura previam a substituição do expresso “em cinco a sete anos”, por um sistema “mais sofisticado” – “o metrô, talvez”. 

Foi no início da década de 1990, porém, que veio a “primeira tentativa de viabilizar recursos para início da construção do metrô seguindo a linha do ônibus expresso do eixo Norte/Sul”, relata o documento elaborado na gestão de Fruet. Aproveitou-se, para tanto, de 100 milhões de dólares oferecidos pelo Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird). O prefeito, à época, era, novamente, Lerner. 

Mas o sucessor dele, Rafael Greca, que tomou posse em 1993, renegociou o uso do dinheiro, e com ele financiou a construção de sete ruas da cidadania e a pavimentação de ruas da cidade, afirma a gestão Fruet. 

“É necessário contextualizar o caso”, rebate Greca, via assessoria. “Em 1992 foi estudada novamente a possibilidade do anteprojeto Bonde Moderno, entre Santa Cândida e Pinheirinho, sobre trilhos e elétrico, com capacidade para 300 passageiros. Ele não prosperou novamente por falta de recursos financeiros”. 

“Paralelamente, a Volvo lançou os biarticulados, com capacidade para 270 passageiros, que entraram em operação na nossa cidade. Em 1995 foi autorizada a operação para as ruas de cidadanias, vinculadas ao sistema de transporte coletivo, propiciando melhoria da mobilidade e acesso aos serviços públicos preferencialmente via transporte público”, prossegue o prefeito eleito. 

Greca diz que não desistiu do projeto do metrô, se o dinheiro prometido pelo governo federal vier. “O Ippuc vai avaliar. O que não pode é perder dinheiro”. 

O custo do metrô 

De 2002 até 2014 o Metrô de Curitiba já custou R$ 23,3 milhões em valores atualizados pela inflação. Os recursos – provenientes de um convênio entre a prefeitura e a Companhia Brasileira de Trens Urbanos – foram destinados à execução de estudos, projetos e planos para a obra.

Fonte: Gazeta do Povo
Publicada em:: 20/11/2016

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

R$ 1 bi mais caro e sem prioridade, metrô de Curitiba vê obras cada vez mais longe

03/08/2016 - Gazeta do Povo

A esperança da atual gestão em torno do projeto do metrô de Curitiba recebeu duas notícias antagônicas nas últimas semanas: para os pessimistas, a informação de que a gestão do presidente interino dará prioridade aos projetos já contratados (algo que não ocorreu com o metrô) confirmou a tese de que o modal sobre trilhos da cidade é mais um sonho do que uma realidade; em outra trincheira, os otimistas puderam comemorar que a Caixa Econômica Federal encaminhou suas considerações sobre o projeto ao Ministério das Cidades. Apesar de o banco ainda não dizer quais foram essas considerações, a prefeitura de Curitiba comemorou que essa etapa tenha sido superada.

O sonho do metrô curitibano se arrasta há mais de uma década (veja mais ao lado). Em agosto de 2014, na antevéspera da abertura dos envelopes dos concorrentes, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná suspendeu o processo alegando ter encontrado indícios de irregularidades no edital. Refeito, o certame encontrou novo obstáculo: quem iria pagar a inflação acumulada desde a suspensão da concorrência. Em vias de ver o país entrar em recessão, a União sinalizou que não aportaria nem um real a mais no projeto. Naquela época, a diferença era de pouco mais de R$ 400 milhões. Agora, ela supera R$ 1 bilhão (veja infográfico).

Apesar desse impasse, no último mês de julho, a Caixa Econômica Federal encaminhou ao Ministério das Cidades seu parecer sobre a análise do anteprojeto técnico do metrô. Foi a primeira vez que isso ocorreu em caráter conclusivo desde que a cidade passou a sonhar com o novo modal.

O banco afirmou, entretanto, que essa etapa não se refere a aceitar ou não o projeto da prefeitura de Curitiba. “Isso cabe ao Ministério das Cidades”, enfatizou a assessoria da instituição financeira. Mas o secretário municipal do Planejamento, Fábio Scatolin, avaliou positivamente o trâmite. “Esse envio serve como uma chancela para o trabalho que fizemos até aqui, demonstrando que estamos no caminho certo. Queremos que a próxima gestão, seja quem for, tenha um projeto pronto para ser licitado caso seja esse o desejo”, disse.

Água no chope

A notícia poderia ser mais comemorada, não fosse o fato de o ministro interino das Cidades, Bruno Araújo, ter afirmado recentemente que “a prioridade é terminar as obras já iniciadas”. A declaração foi dada em notícia publicada no último dia 13 de julho no site da pasta, logo após encontro de Araújo com parlamentares.

Ao todo, segundo o ministério das Cidades, serão priorizados neste momento 200 projetos de mobilidade contratados com recursos de R$ 43,7 bilhões. Desses, 90 estão com obras em andamento, 78 ainda não saíram do papel, 13 foram concluídos e 19 estão com obras paralisadas. O ministro também informou na publicação que a maior parte dessas obras “se refere a corredores de ônibus, VLT e BRT (140); 21 são obras de transporte sobre trilhos; e 12 de adequação de vias”.

Scatolin avaliou que a fala do ministro faz sentido: “também achamos que tem de ser priorizado o que está em andamento. Para fazer voos maiores, não se pode esquecer o que está andando”. O secretário, entretanto, mostrou otimismo para os próximos meses. “Nossa gestão também entende que o governo federal, seja ele qual for (o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff ainda está em andamento), terá de ter uma agenda de retomada do crescimento e não temos dúvidas de que um dos melhores projetos que o país tem é o do metrô de Curitiba”, defendeu.

Procurada pela reportagem para comentar especificamente o caso do metrô de Curitiba, a pasta federal não retornou com informações sobre o andamento do projeto até o fechamento desta reportagem.

DIVISÃO

Pela divisão atual, Governo Federal ficaria com 38% dos custos do metrô. Valor, porém, está desatualizado desde agosto de 2014


Caso antigo

O primeiro investimento em estudos para implantar o metrô de Curitiba ocorreu há mais de 14 anos, ainda na gestão do então prefeito Cássio Taniguchi. Foi com o ex-prefeito Luciano Ducci, porém, que o metrô ganhou o atual traçado em um projeto que custaria em torno de R$ 2,3 bilhões. Mas a gestão Gustavo Fruet decidiu modificar a técnica de construção ao concluir que a opção daquele projeto não era a mais adequada para a cidade. A nova opção foi orçada com o dobro desse valor e chegou a ganhar um edital. Mas o processo foi suspenso e depois ficou sem o dinheiro necessário para ser tocado.

Entidades criticam edital do metrô

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Dois anos atrás, órgãos como Crea-PR, CAU-PR e Dieese, disseram que minuta do edital era frágil e deveria ser revista

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Prefeitura de Curitiba diz que não há previsão para relançar edital do metrô

17/02/2016 – G1 – Paraná

Novo projeto do Metrô de Curitiba liga as regiões sul e norte (Foto: Reprodução / RPC TV)
Novo projeto do Metrô de Curitiba liga as regiões sul e norte (Foto: Reprodução / RPC TV)

Uma comissão formada por vereadores participou de reunião com o secretário de planejamento de Curitiba, Fábio Scatolin, sobre o projeto do metrô. Segundo o secretário, não há previsão de relançamento do edital de licitação, suspenso desde 2014.

A última previsão da Prefeitura de Curitiba era de que a licitação fosse relançada até o fim de 2015. Scatolin afirmou aos vereadores que o atraso é decorrente da falta de recursos do governo federal, que se comprometeu a bancar parte da obra.

“Num momento que a gente entende de dificuldade macroeconômica do país, onde ele está todo voltado para o ajuste fiscal, mas que pode abrir espaço para que daqui um ou dois anos, começando o projeto hoje, você possa liberar os recursos para a administração de Curitiba”, afirmou Scatolin.

Lançado em maio de 2014, o edital de licitação foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná, que pediu mudanças e questionou itens como laudo ambiental. O secretário garante que as alterações foram feitas, mas não deu um prazo para o edital ser relançado.

“Não dá porque não depende de nós. A nossa parte nós fizemos e estamos convencidos que Curitiba tem um bom projeto de metrô. Agora a parte das empresas e a parte do governo federal, eles que vão ter que nos dizer quando que é o melhor momento para esse processo”, disse.

O custo inicial previsto para a licitação é de R$ 4,7 bilhões. Deste total, R$ 1,8 bilhão deve vir do governo federal, R$ 700 milhões do governo do Paraná, R$ 700 milhões da Prefeitura de Curitiba, e R$ 1,5 bilhão da iniciativa privada.

A estes valores, porém, devem ser acrescidas duas correções inflacionárias – uma desde setembro de 2013, até a realização da licitação; e outra desde o início da obra, até a conclusão.

Metrô

O projeto atual do metrô prevê uma linha de 17,6 quilômetros, entre o Terminal do Cabral e a CIC Sul. Neste trecho, devem ser construídas 15 estações. A expectativa da prefeitura é entregar a obra em até cinco anos. Num segundo momento, a linha deverá ser estendida até o Terminal Santa Cândida. Porém, essa parte da obra ainda não possui orçamento e nem prazo de entrega.

Pelo primeiro edital lançado, o custo máximo da passagem deveria ser de R$ 2,55 – corrigido no início da operação. A empresa vencedora deve ser a que oferecer o menor valor de passagem.

Após o início das obras, a previsão é de que o trecho que vai até o Centro, na Rua das Flores, seja concluído em quatro anos. O trecho até o Cabral terá cinco anos para ser terminado, mas as operações poderão começar apenas com a primeira etapa concluída. A construção será feita através do método Shield, ou “Tatuzão”, que escava por debaixo da terra, através de uma tuneleira. Dos 17,3 quilômetros de extensão, 2,2 quilômetros devem ser elevados.

Os trens do metrô devem ser automatizados e movidos a energia elétrica, sem a presença de motoristas. Segundo a prefeitura, o modelo permitirá uma maior frequência dos trens, diminuindo o tempo da viagem. Por medida de segurança, o acesso dos passageiros aos trens só será aberto, por uma porta automática, quando o trem estiver já parado sobre o trilho das estações.

Além da integração com os ônibus, a intenção da prefeitura é de integrar o metrô ainda com outros modais, como a bicicleta. Isso deve ser feito através da implantação de bicicletário e banheiros em terminais e nas estações do metrô.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Custo do metrô subiu para R$ 5,5 bilhões. Quem vai bancar?

17/02/2016 - Paraná Online

 Mais de dez anos após as primeiras discussões e sucessivos adiamentos, o metrô de Curitiba ainda não saiu do papel. Apesar das críticas ao projeto, a prefeitura insiste que ele é viável. Em entrevista à Tribuna, o secretário de Planejamento e Administração, Fábio Scatolin, revelou que o município aposta em um acordo com o governo federal para lançar o edital de licitação no primeiro semestre de 2016. As negociações se referem aos recursos que garantem a viabilidade da obra.

Até o ano passado, o projeto estava orçado em R$ 4,7 bilhões, com recursos de uma parceria público-privada (PPP): R$ 1,8 bilhão do governo federal, R$ 700 milhões da prefeitura, R$ 700 milhões do governo estadual e R$ 1,5 bilhão da iniciativa privada. Hoje, devido ao cenário econômico, o investimento está estimado em R$ 5,5 bilhões. Devido à correção inflacionária, a prefeitura busca maior aporte de recursos da União.

O primeiro edital saiu em 2014. No mesmo ano, o processo foi suspenso e depois liberado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), que solicitava laudo ambiental, realização de pesquisa origem-destino e detalhamento do objeto do contrato. Questões que, segundo o secretário, estão solucionadas.

"O projeto do metrô é estruturante, importante para a cidade em longo prazo e melhor opção para o eixo norte-sul. O projeto do metrô segue de pé, mas, dos três elementos centrais que o sustentam, dois ainda precisam ser confirmados. O primeiro é o interesse da prefeitura no projeto, que está mantido. O segundo é a necessidade de garantir o financiamento da obra, que ultrapassa os R$ 5 bilhões, e o terceiro é poder contar com o mercado, com empresas em condições de executar a obra. Problemas com empresas envolvidas na Operação Lava Jato levaram o Tribunal de Contas da União (TCU) a adotar novas regras para as licitações nesta área”, explica Scatolin.

Vereadores cobram definições

Vereadores integrantes da Comissão Especial do Metrô da Câmara Municipal e o secretário Fábio Scatolin devem se reunir nesta tarde na sede da Secretaria Municipal de Planejamento e Administração para discutir os motivos que levaram ao atraso no lançamento da licitação, que deveria ter acontecido até o final de 2015.

Segundo o vereador Tico Kuzma (Pros), presidente da comissão que investiga a legislação, a administração dos recursos e a licitação do metrô, os vereadores querem saber do secretário se a licitação será feita ou se há um plano B para o sistema de transporte proposto.

Cobrança

Ele também será questionado sobre a garantia e a disponibilidade dos recursos financeiros. "Queremos cobrar da prefeitura um posicionamento sobre a data de lançamento e sobre as demais questões que envolvem o edital de licitação do metrô, afirma.

Benefícios devem ser considerados

Para o arquiteto e coordenador do curso de pós-graduação em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Carlos Hardt, o projeto do metrô não deveria levar em consideração apenas as questões financeiras ou os problemas políticos e econômicos de curto prazo.

"Estes não devem ser os pontos decisórios sobre a realização do projeto. A decisão, além da viabilidade econômica, deve passar pelas necessidades de transporte, como o número atual e potencial de usuários e pelos benefícios que podem ser gerados para a cidade, como a melhoria no trânsito e a desmitificação do transporte público como algo inferior ou de baixa qualidade”.

Para ele, o sistema de metrô subterrâneo ainda é o mais eficiente, porém, o mais caro. "Ele não impacta na paisagem urbana e nos cruzamentos do trânsito, mas tem custo de execução elevado. Sistemas aéreos e elevados têm custo de implantação mais baixo, no entanto, geram mais modificações e impactos no nível da rua”, esclarece Hardt.

O professor ainda lembra que não há uma solução mágica, já que o atual projeto do metrô seria bom, porém não resolveria sozinho os problemas de transporte da cidade.

Substituição seria cara demais

Já para o engenheiro civil e diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge-PR) José Ricardo Vargas de Faria, a proposta do metrô, que deve ser construído no mesmo local onde já existem linhas de ônibus ligeirinho do sistema Bus Rapid Transit (BRT), é um equívoco. "Ele subsistirá um sistema já amortizado, investimento que já foi pago em vez de ser implantando em um local onde estudos comprovem a demanda por novos sistemas de transporte, que complementem e não substituam o que já existe. Isto só pode ser apontado em uma pesquisa de origem-destino, que custa caro, mas é essencial em obras deste porte, afinal uma linha de ônibus pode ser alterada, já um trajeto de metro, não”, opina.

Faria aponta ainda que o modelo de financiamento por meio de parceria público-privada deixa o sistema preso à condição de ter que ser financeiramente viável para empresas, e não um projeto que possa ser gerido pelo poder público, atendendo demandas reais de transporte, mesmo que opere inicialmente no vermelho. "Outra opção ao metrô é apostar na multimodalidade de transporte, com diferentes sistemas que atendam situações e necessidades diversas. Um bom exemplo seria a integração do sistema de ônibus com as ciclovias, por meio da instalação de paraciclos nos terminais”, aposta.

Resposta aguardada

De acordo com Scatolin, a questão do reajuste dos recursos está sendo analisada no Ministério das Cidades e uma resposta deve ser dada pelo governo federal no mês que vem. Mas, caso os recursos extras não sejam disponibilizados pela União, a saída pode ser dividir a conta entre os demais envolvidos, com a possiblidade de aumentar o investimento privado, que hoje é de no máximo 32%.

"As conversações estão indo bem, acreditamos que devemos receber uma resposta até a primeira quinzena de março. Se não for possível viabilizar o metrô agora, deixamos o projeto em banho-maria e não devemos adotar alternativas para o eixo norte-sul. No entanto, pensamos em ciclovias e VLP (veículo leve sobre pneus) para a Linha a Verde e na integração com a região metropolitana”, diz o secretário.

Até o fechamento desta edição, a Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec) e o Ministério das Cidades não deram retorno sobre a disponibilidade de recursos para o metrô.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Câmara cobra definição sobre licitação do metrô em Curitiba

25/01/2016 - Portal Bem Paraná

A Câmara Municipal de Curitiba retoma os trabalhos na semana que vem, e um dos primeiros assuntos que devem ser debatidos pelos vereadores é sobre o futuro do projeto de construção do metrô da Capital. Segundo o presidente da comissão especial que trata do tema, vereador Tico Kuzma (PROS), a ideia é logo após o fim do recesso, cobrar uma resposta da prefeitura sobre se o Executivo municipal pretende lançar ainda neste ano o edital de licitação da obra, ou se em razão da crise econômica, os planos serão alterados em favor de outras alternativas.

“Vamos propor uma agenda já na primeira semana de fevereiro, antes do Carnaval. Podemos até ir até à secretaria (de Planejamento) para termos este posicionamento”, diz Kuzma. “Precisamos de uma definição, até mesmo em função de estarmos em ano eleitoral. Queremos que a situação do metrô esteja definida antes das eleições, que esteja licitado e iniciada a sua construção”, afirma o parlamentar.

Orçado em R$ 5,5 bilhões em valores atualizados, o projeto prevê 19 estações distribuídas em 22 km. Uma licitação chegou a ser lançada, mas foi suspensa em agosto de 2014 pelo Tribunal de Contas do Estado. Até meados de 2015, o valor oficial divulgado era R$ 4,7 bilhões, que seria dividido entre o governo federal, R$ 1,8 bilhão; prefeitura, R$ 700 milhões; e governo estadual, R$ 700 milhões; e iniciativa privada, R$ 1,5 bilhão.

Em agosto do ano passado, o secretário municipal de Planejamento e Administração, Fábio Scatolin, afirmou que os questionamentos do TCE foram sanados, e que a conclusão do edital dependia apenas de “definições relacionadas a questões macroeconômicas”, como os marcos do aporte de recursos públicos. Ele chegou a confirmar à comissão que a licitação seria lançada até o fim do 2° semestre de 2015, o que não aconteceu.

Capacidade

O prefeito Gustavo Fruet (PDT) tem mantido publicamente a posição de que, mesmo com a crise econômica, a cidade deve insistir na construção de um modal de alta capacidade. “A prefeitura precisa nos dar uma resposta sobre que atitude irá tomar com relação ao edital do metrô. Se ele será lançado ou não. E se não for, qual será o projeto de mobilidade que irá substituí-lo”, diz Kuzma.

“Acreditávamos que o edital seria relançado em dezembro e infelizmente não foi. Infelizmente, porque o metrô, na atual situação, seria importante devido aos impasses da tarifa do ônibus – já que com um novo projeto de mobilidade em execução, a discussão com as empresas de ônibus poderia ser diferente. E também em função da crise econômica, já que um investimento de mais de R$ 5 bilhões geraria oportunidades de negócios e a criação de empregos diretos e indiretos”, avalia o vereador. Scatolin também garantiu, em agosto, a liberação dos recursos federais para a obra. Mas admitiu que faltava definir quem assumiria a correção inflacionária sobre o valor da obra, já que será executada em parceria público-privada (PPP).

No dia 26 do mesmo mês, o secretário estadual de Planejamento, Silvio Barrros, confirmou o aporte financeiro do governo do Estado. Entretanto, a data de liberação do recurso estadual só poderia ser definida “a partir da realização da nova licitação” por parte da prefeitura.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Estudo de Impacto ambiental define traçado do metrô de Curitiba

17/11/2015 – Jornale

O metrô de Curitiba terá 22 quilômetros de extensão e 19 estações, será integrado aos terminais de ônibus da capital e deverá transportar, inicialmente, 20,4 mil pessoas hora/sentido. O custo total estimado da obra ultrapassa R$ 5,5 bilhões (valor atualizado). Estes números foram apresentados junto ao estudo complementar de impacto ambiental (EIA) do projeto, na segunda-feira (16), às comissões de Meio Ambiente e Especial do Metrô, da Câmara Municipal. A nova alternativa de traçado possui diversos aspectos positivos, como menor número de desapropriações e redução no nível de poluição atmosférica. Como impactos negativos de baixa magnitude estão o risco de contaminação de solos e águas e aumento dos níveis sonoros.

O áudio da reunião conjunta você encontra aqui na íntegra, assim como as apresentações sobre o projeto do metrô e o estudo complementar de impacto ambiental.

O primeiro EIA foi elaborado em 2010 e divulgado pela Prefeitura de Curitiba em março de 2011, mesmo período em que foi liberada a licença ambiental prévia da obra. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Renato Lima, depois que o projeto passou por adequações, prevendo o método de construção “shield”, com uso de máquina tuneladora, foi necessária a contratação de um novo laudo – elaborado entre 2014 e 2015 pela Ecossistema Consultoria Ambiental (mesma empresa responsável pelo estudo anterior).

Apresentado em audiência pública no dia 22 de setembro, o novo EIA apresenta uma sexta alternativa ao traçado do metrô de Curitiba, com 22 km de extensão, sendo 2 km em trecho elevado (do pátio de manobras até a avenida Winston Churchill e 20 km em túnel pelo método shield. O estudo de 2010 previa 5 propostas de trajeto, com modelos de escavação diferentes (“cut and cover” e NATM).

De acordo com a bióloga Gisele Cristina Sessegolo, da Ecossistema Consultoria, a nova alternativa de traçado possui diversos aspectos positivos, como: menor número de desapropriações; ganho de tempo nos deslocamentos; redução de custos operacionais; redução no número de acidentes de trânsito e no nível de poluição atmosférica. Em contrapartida, existem os pontos negativos: necessidade de grande área para o pátio de manobras; aumento da produção de material agregado; e necessidade de identificação de novas áreas para “bota-fora”.

No EIA, foi detalhado o impacto ambiental por etapa de implantação do projeto – desde o planejamento à operação do metrô curitibano. Risco de contaminação de solos e águas e aumento dos níveis sonoros são os impactos negativos de baixa magnitude. Alguns impactos negativos de média magnitude identificados são: volumes excedentes de escavação e risco de acidentes com usuários. Alteração de tráfego e implantação de obras viárias paralelas são classificados como impactos de alta magnitude.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Estudo de Impacto ambiental define traçado do metrô de Curitiba

17/11/2015 - Jornale

O metrô de Curitiba terá 22 quilômetros de extensão e 19 estações, será integrado aos terminais de ônibus da capital e deverá transportar, inicialmente, 20,4 mil pessoas hora/sentido. O custo total estimado da obra ultrapassa R$ 5,5 bilhões (valor atualizado). Estes números foram apresentados junto ao estudo complementar de impacto ambiental (EIA) do projeto, na segunda-feira (16), às comissões de Meio Ambiente e Especial do Metrô, da Câmara Municipal. A nova alternativa de traçado possui diversos aspectos positivos, como menor número de desapropriações e redução no nível de poluição atmosférica. Como impactos negativos de baixa magnitude estão o risco de contaminação de solos e águas e aumento dos níveis sonoros. 

O áudio da reunião conjunta você encontra aqui na íntegra, assim como as apresentações sobre o projeto do metrô e o estudo complementar de impacto ambiental. 

O primeiro EIA foi elaborado em 2010 e divulgado pela Prefeitura de Curitiba em março de 2011, mesmo período em que foi liberada a licença ambiental prévia da obra. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Renato Lima, depois que o projeto passou por adequações, prevendo o método de construção “shield”, com uso de máquina tuneladora, foi necessária a contratação de um novo laudo – elaborado entre 2014 e 2015 pela Ecossistema Consultoria Ambiental (mesma empresa responsável pelo estudo anterior). 

Apresentado em audiência pública no dia 22 de setembro, o novo EIA apresenta uma sexta alternativa ao traçado do metrô de Curitiba, com 22 km de extensão, sendo 2 km em trecho elevado (do pátio de manobras até a avenida Winston Churchill e 20 km em túnel pelo método shield. O estudo de 2010 previa 5 propostas de trajeto, com modelos de escavação diferentes (“cut and cover” e NATM). 

De acordo com a bióloga Gisele Cristina Sessegolo, da Ecossistema Consultoria, a nova alternativa de traçado possui diversos aspectos positivos, como: menor número de desapropriações; ganho de tempo nos deslocamentos; redução de custos operacionais; redução no número de acidentes de trânsito e no nível de poluição atmosférica. Em contrapartida, existem os pontos negativos: necessidade de grande área para o pátio de manobras; aumento da produção de material agregado; e necessidade de identificação de novas áreas para “bota-fora”. 

No EIA, foi detalhado o impacto ambiental por etapa de implantação do projeto – desde o planejamento à operação do metrô curitibano. Risco de contaminação de solos e águas e aumento dos níveis sonoros são os impactos negativos de baixa magnitude. Alguns impactos negativos de média magnitude identificados são: volumes excedentes de escavação e risco de acidentes com usuários. Alteração de tráfego e implantação de obras viárias paralelas são classificados como impactos de alta magnitude.